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Ensino, Pesquisa e Extensão no Projeto Andar de Novo
“A ciência tem valores que, aplicados a qualquer atividade social, levam à transformação” (Miguel Nicolelis).Conheça um pouco mais sobre os grandes impactos sociais de um dos projetos mais inovadores de todos os tempos.


           Os avanços tecnológicos das últimas décadas facilitaram de forma significativa a vida da sociedade em geral. Agora, um brasileiro sonha em realizar o que muitos ainda consideram ser impossível: devolver o movimento autônomo a pacientes para e tetraplégicos por meio de uma interface cérebro-máquina. O Projeto Andar de Novo (Walk Again Project) é chefiado pelo Dr. Miguel Nicolelis e promovido pela parceria entre as seguintes instituições: Duke University, Instituto Internacional Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Associação Alberto Santos Dumont para o Apoio à Pesquisa (AASDAP).

Dr. Miguel Angelo Laporta Nicolelis

Considerado um dos maiores cientistas da atualidade, Nicolelis tem sido indicado anualmente ao Prêmio Nobel da Medicina por seus trabalhos no campo da Neurociência. Atualmente, é professor e pesquisador da Duke University na Carolina do Norte – USA. Seu sonho é permitir que o pontapé inicial do jogo de abertura da próxima Copa do Mundo, marcado para o dia 12 de junho às 17h no Estádio Itaquerão, seja dado por um jovem brasileiro, até então sem capacidade locomotora, munido de um exoesqueleto conectado ao seu cérebro.

O projeto consiste na implantação de pelos menos 12 chips diretamente no córtex cerebral. Os chips serão responsáveis por captar os sinais cerebrais e enviá-los, usando ondas de rádio, ou seja, sem o auxílio de fios, a uma unidade de processamento acoplada às costas do paciente. Nesta unidade, as ondas cerebrais serão transformadas em linguagem de máquina e o código será enviado ao exoesqueleto. Este, por sua vez, será responsável pela conversão final de código em movimento mecânico, permitindo assim, que o paciente volte a caminhar.

A interface cérebro-máquina conecta diretamente o cérebro de um indivíduo a um computador incumbido de ler os estímulos cerebrais e, a partir deles, realizar uma determinada operação. Em 2011, Nicolelis conseguiu que uma macaca assimilasse um braço robótico como membro de seu corpo mesmo não tendo contato visual com o robô. Além disso, à macaca foi devolvida a sensação de tato, isto é, impulsos elétricos eram enviados ao cérebro do primata dependendo da textura de objetos que seu braço virtual tocava. Deste modo, será possível que o exoesqueleto seja responsável por devolver reação aos movimentos do paciente.

Protótipo do Exoesqueleto, divulgado em 05/08/2013

Em outro experimento, uma macaca nos Estados Unidos foi conectada a um robô no Japão usando internet Wi-Fi. O animal recebia estímulos para caminhar e estes sinais eram enviados para o outro lado do planeta. O robô não só caminhava de acordo com a vontade do primata, como fazia isso cerca de 20 milésimos de segundo mais rápido que o próprio animal, confirmando a eficiência da interface criada.

O projeto se enquadra na categoria de pesquisa, e é apontado como umas das mais impactantes segundo o Massachusetts Institute of Technology (MIT). Porém, porém as aspirações de Nicolelis e de seus colaboradores não param por ai. A AASDAP mantém em Natal e em Macaíba, cidade à 20km da primeira, uma escola gratuita voltada para alunos do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino. O objetivo é proporcionar um ensino diferenciado para jovens de modo que os mesmos sejam estimulados, desde cedo, a produzirem conhecimento, de modo que, mesmo antes desses alunos ingressarem na universidade, trabalhem diretamente com pesquisadores de diversos países no maior laboratório de neurociências do mundo, que está sendo construído em Macaíba.

Esta mesma cidade era desprovida de atendimento médico, sendo os moradores obrigados a procurarem hospitais na capital do estado, principalmente para realização de partos. A AASDAP criou então, o Centro de Saúde Anita Garibaldi, especializado em gravidez de alto risco, com patologias que repercutam na saúde fetal, e em crianças portadoras de complicações neurológicas. O centro está inserido no Sistema Único de Saúde, ou seja, toda a população tem direito ao uso de seus serviços gratuitamente. Segundo informações do próprio Dr. Nicolelis, a taxa de mortalidade infantil, após a implantação do centro de saúde, foi reduzida a zero na cidade.

Vista do telhado da Escola Lygia Maria com a nova sede do IINN-ELS ao fundo

Atualmente, em Macaíba, está sendo construído o Campus do Cérebro, composto pela nova sede do Instituto Internacional de Neurociências, uma escola modelo com capacidade para 5 mil alunos e um centro de pesquisas que chega a, aproximadamente, 13 mil m². O centro de pesquisas contará também com um supercomputador, doado pela École Polytechnique Fédérale de Lausanne - Suíça, de 2 toneladas com capacidade para processar 46 trilhões de operações por segundo e que será utilizado para análise de dados cerebrais, experiências genômicas, modelos climáticos, geológicos, entre outros. A previsão é que todo o complexo seja concluído em 2015, e, até lá, a população de Macaíba desfrute de todos os impactos sociais causados diretamente pela aproximação da ciência e da sociedade.

Danilo Pequeno

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A convite do Jornal PET Elétrica, o Prof. Edmar tece comentários a respeito de sua experiência no exterior. Confira!


 


A Professora Dra. Luciana Ribeiro Veloso fala sobre sua área de atuação, descreve o laboratório ao qual está vinculada e comenta sobre seu projeto atual. Confira!




          





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