Câncer e Aparelhos Celulares


Nas últimas décadas, a utilização de aparelhos celulares aumentou significativamente o setor da economia relacionado à sua fabricação e comercialização, ou seja, a indústria de telefonia celular. Todavia, com a alta procura por telefones móveis surgiu entre cientistas a possibilidade de que a utilização de tais equipamentos causasse sérios danos à saúde humana, levando a um estudo cada vez mais intenso de como as ondas eletromagnéticas interagem com os tecidos biológicos.

Assim, recentemente a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer, vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou ter encontrado um vínculo entre a radiação emitida por telefones celulares e um risco maior de tumor cerebral chamado glioma. Com esta notícia a indústria recebeu um grande impacto, pois foram levados a observar que de acordo com a BioInitiative Report, o limite seguro da energia absorvida por unidade de massa de tecido biológico (Specific Absorption Rate - SAR) é da ordem de 0.02W/Kg.

Em contrapartida, analisando a situação no Brasil percebemos que a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) regulamenta que a SAR mínima para aparelhos celulares é de aproximadamente 2 W/Kg. Temos também que, inúmeros fabricantes de celular que estão dentro das limitações exigidas, além de apresentarem taxa de absorção elevada em comparação com os padrões internacionais ainda estipulam em seus manuais que os usuários deverão utilizar o aparelho com uma distância mínima de 2 cm da cabeça.

Por fim, somos levados a refletir sobre a futura qualidade de vida do brasileiro, o aumento de casos de câncer e maiores preocupações com o sistema público de saúde. Considerando que os fabricantes de telefones móveis são regidos pelas exigências atuais da ANATEL, não há qualquer fiscalização e punição por taxas potencialmente nocivas. Mantêm-se, apenas, a busca por lucros financeiros e um elevado mercado consumidor.

  Andréia Bispo do Nascimento



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