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ed73


Ao Leitor
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Liev Tolstói, Sensores e Napoleão Bonaparte

Liev Tolstói (1828-1910) teve boas razões para dividir seu épico Guerra e Paz em quatro livros. O texto, que lança luz sobre a história russa durante o período das famigeradas guerras napoleônicas, foi publicado originalmente entre 1865 e 1869 no Russkii Vestnik - um periódico antes popular na terra dos czares - e compõe uma das obras mais volumosas da literatura mundial. Uma de suas características marcantes são as longas e profundas descrições psicológicas dos personagens.

Guerra e Paz conta a saga de cinco famílias da aristocracia e a relação pessoal de seus membros com a trajetória russa, sobretudo com a invasão dos exércitos de Napoleão Bonaparte em 1812. A narrativa é dividida em quinze partes e epílogos, em que um destes ocupa-se essencialmente de teorias sobre a natureza da guerra, o poder político e a História. Todavia, o romance vai muito além do conflito franco-russo. Concentra-se também no cotidiano da nobreza czarista, sua convivência com os servos e o funcionamento das sociedades secretas que envolviam as classes mais altas do país. Nesse cotidiano que muitas sutilezas acabam por chamar uma especial atenção a leitores contemporâneos, principalmente às diferenças entre as relações humanas de hoje e daquele tempo, o que é permitido pela perspicaz descrição de Tolstói.

Percebe-se que os distintos níveis de tecnologia da vida das pessoas da narrativa com relação aos seus atuais leitores provoca uma necessidade de imersão contundente que pode levar a refletir não apenas sobre os impactos do avanço tecnológico, mas também sobre como será o futuro deste - na vida social ou na guerra. Uma das promessas revolucionárias é a famosa Internet das Coisas (Internet of Things ou IoT). Por definição, a Internet das Coisas busca otimizar a comunicação máquina-máquina por meio da construção de uma nuvem e de redes de sensores coletores de dados; é uma conexão móvel, virtual e instantânea que dizem que irá tornar tudo em nossas vidas, de postes de luz a portos, “smart”. É algo como um mundo com ainda mais acesso instantâneo à informação associado com dispositivos capazes de lidar com as situações resultantes dos dados recebidos.

Assim, nesse conto de fadas cada vez menos utópico, os sensores são o personagem principal, não as máquinas em si. Um sensor não é uma máquina, não é capaz de fazer qualquer coisa no sentido que uma máquina faz. Um sensor realiza medições, dá valores; em resumo, ele capta dados. A Internet das Coisas realmente funciona com a devida conexão entre sensores e máquinas, criando uma interseção entre os dados coletados e seu tratamento em tempo real. Dessa forma, seria possível, por exemplo, evitar acidentes ao saber previamente sobre rotas cujos sensores captaram irregularidades - aliás, seria interessante Napoleão saber com antecedência que a capital russa estava devastada e abandonada... Entretanto, não obstante a importância, evitar acidentes, economizar dinheiro, desenvolver cidades inteligentes não são as maiores consequências da Internet das Coisas, mesmo sendo as mais evidentes. É preciso pensar grande. Quando começarmos a desenvolver instrumentos inteligentes, isto vai ser a maior ferramenta para criar novos produtos e novos serviços, não simplesmente “melhorar” o que já temos. Daqui a poucos anos, podemos ser tão diferentes que a literatura atual poderá ser tão reflexiva, em termos tecnológicos, quanto a de Tolstói de duzentos anos atrás.

Na 73ª edição do Jornal PET Elétrica, portanto, convidamos você, caro leitor, a iniciar o ano de 2016 conhecendo mais sobre a Internet das Coisas e sua influência no futuro da humanidade, inclusive sobre uma perspectiva sustentável. Além disso, apresentamos sobre a automatização promovida por sensores, como também sobre os avanços da tecnologia RFID. Por fim, temos uma instigante matéria sobre autocontrole, algo extremamente necessário, mas nem sempre fácil, e, por isso, o artigo mais que informar, procura também ajudar você a utilizar seu autocontrole com eficiência.


Emilly Rennale Freitas de Melo

Equipe Editorial do Jornal PET-Elétrica



   







A convite do Jornal PET Elétrica, a engenheira eletricista Rachel Suassuna de Medeiros escreveu sobre a turma de 1973, da então Escola Politécnica da UFPB. Confira!




O Professor Dr. Marcelo Sampaio de Alencar destaca, em seu texto, as finalidades do Iecom, as pesquisas, as parcerias e os projetos nos quais está envolvido. Confira!














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