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ed69


Ao Leitor
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Artes, Plutão e Carl Sagan

As Belas Artes são um conceito que surgiu na Europa no final do século XVIII, junto com a proliferação das Academias de Arte, e que designa atividades preocupadas com a criação do belo, independente da sua utilidade prática. Quando as academias se transformaram em Escolas de Belas Artes, um século depois, a expressão já estava consolidada, mesmo com apenas seis artes: arquitetura, pintura, escultura, música, literatura e teatro (incluindo a dança). Hoje, esse leque é consideravelmente maior, com mais de dez artes, como a fotografia, o cinema, as artes digitais e a arte moderna, que procuram outras formas de emoção que vão além da beleza.

Nesse sentido, a Arte foi mais uma atividade humana que encontrou nos avanços da tecnologia novas formas de ser. É impressionante a quantidade de técnicas, de conceitos científicos, de habilidade e sensibilidade, que uma fotografia pode ter, por exemplo. Mais do que nunca, “uma imagem vale mais que mil palavras”. Por isso, a fotografia passou a ser utilizada inclusive como ferramenta na própria Ciência, desde estudos microscópicos da Medicina até outros em escalas astronômicas.

Plutão, o planeta anão que ganhou o noticiário em meados desse ano com o sucesso da missão da New Horizons, foi descoberto por análise de imagens fotográficas. Na década de 1840, um estudo complexo indicou a existência de outro planeta além da órbita de Netuno. Os cálculos feitos com base na massa de Netuno sugeriram que a órbita deste último, assim como a de seu vizinho, Urano, não se ajustavam bem às previsões dos movimentos planetários. Pelo menos um corpo de grandes dimensões, ainda não descoberto na borda do sistema solar, devia estar afetando o movimento dos planetas gelados, fazendo-os percorrer órbitas excêntricas ao redor do Sol.

No início do século XX, a busca por esse astro perdido tomou impulso com o matemático Percival Lowell, que construiu um observatório particular no Arizona, Estados Unidos. O local tornou-se centro da procura e teve suas atividades mantidas mesmo com a morte de Lowell em 1916, por Clyde Tombaugh, um perito na montagem de telescópios, sem formação acadêmica em Astronomia. Ele usava de um “comparador de campos”, um dispositivo ruidoso que permitia a alternância entre imagens de longa exposição obtidas com intervalos de vários dias - eram fotos com centenas de milhares de estrelas e outros corpos celestes a serem analisados. Qualquer coisa que se deslocasse significativamente nesse intervalo de tempo, apareceria em movimento quando se passava de uma chapa fotográfica para outra. Assim, Plutão foi anunciado por Tombaugh em 1930.

Esse é somente um caso que evidencia como a Ciência e a Arte constantemente se confundem. As imagens astronômicas revelam o Cosmos como um verdadeiro artista, que ao nos ajudar a entender melhor o Universo, também nos emociona. Quem somos nós? Qual o nosso propósito nesse lugar, como diria Carl Sagan, “nem benigno nem hostil, mas meramente indiferente às preocupações de criaturas tão insignificantes como nós” ? A Arte ultrapassa a emoção. Tal como a Ciência, ela tem fundamentos, avanços e conhecimento. Ela nos faz pensar e refletir e não há algo mais científico que isso.

Nessa edição, portanto, o Jornal busca nos levar a pensar e refletir, seja sobre a existência de vida em planetas extrassolares, ou sobre o desenvolvimento de tecnologias em carros elétricos, em placas fotovoltaicas, ou até sobre a Arte em si, por meio da fotografia, a oitava arte, e suas técnicas. Convidamos, você, caro leitor, a fazer Ciência conosco - e, por que não, Arte.


Emilly Rennale F. de Melo

Equipe Editorial do Jornal PET-Elétrica



   







A convite do Jornal PET Elétrica, a engenheira eletricista Rachel Suassuna de Medeiros escreveu sobre a turma de 1973, da então Escola Politécnica da UFPB. Confira!




O Professor Dr. Marcelo Sampaio de Alencar destaca, em seu texto, as finalidades do Iecom, as pesquisas, as parcerias e os projetos nos quais está envolvido. Confira!














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