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ed67


Ao Leitor
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Dois Gatos, Física Quântica e Fotossíntese

Ellie era apenas uma garotinha quando conheceu o “Simitério dos bichos” - com “si” mesmo. Esse “simitério” era um local onde, durante décadas, as crianças da cidade enterravam seus amados animais de estimação. Dezenas de pequenos túmulos, cuidadosamente construídos, com direito a lápides e flores. A princípio, Ellie ficou maravilhada como só uma criança pode ficar, mas ao voltar para casa a fez voltar à realidade. Começara a pensar que um dia seu gatinho também iria morrer. Aflita, questionou o pai sobre porque isso teria que acontecer. Ele explicara que era algo natural, inevitável. Que não era ele quem ditava as regras.

O “simitério dos bichos” foi o primeiro contato de Ellie com a morte, que mesmo criança foi capaz de entender o que Stephen King chamou de “cruel imprevisibilidade”. King, escritor de “O Cemitério”, a obra brevemente narrada, de uma maneira sutil, contudo paradoxalmente impactante, faz o leitor refletir sobre as verdades que temos que aceitar ao longo da vida. Verdades que tiram algumas horas de sono até de adultos.

Essas noites mal dormidas têm um motivo simples: é intrínseco do ser humano a busca por causas, explicações; a necessidade de ver, tocar, entender. Se não fosse assim, você, leitor, não estaria lendo esse texto na tela de um computador ou celular ou tablet. Não haveria eletricidade ou, muito menos, internet. Nem livros de Stephen King.

Não haveria Ciência. Galileu Galilei não teria insistido que a Terra não era o centro do Universo - nem teria sido julgado na Inquisição por isso. Isaac Newton não teria descoberto leis que até o século XIX eram tudo o que descrevia a natureza na Terra, como também o comportamento da Lua e dos planetas. A curiosidade de Michael Faraday iniciou os primeiros grandes estudos sobre a Eletricidade e o Magnetismo. James Maxwell desvendou as características da luz. Até então, parecia que a Física Clássica era inabalável - e suficiente. Mas, como sempre, antigas verdades sofreram novos questionamentos.

Dessa vez, a consequência foi uma recategorização da Física Clássica como apenas uma aproximação útil de um mundo que é quântico em todas as escalas. A Física Quântica, antes considerada restrita às proporções microscópicas, apresenta comportamentos persistentes no macromundo, embora esse pareça clássico por causa das complexas interações que conspiram para ocultar de nossa visão os efeitos quânticos.

Por exemplo, pode-se falar de outro gato, não muito menos mórbido que o da pequena Ellie. No famigerado cenário do gato que pode estar vivo ou não simultaneamente, criado por Erwin Schrödinger, informações sobre a saúde do animal vazam rapidamente na forma de fótons e por troca de calor. Outro caso acontece na fotossíntese, em que as plantas convertem luz solar em energia química. A luz incidente ejeta elétrons dentro das células das plantas, os quais perfeitamente encontram o caminho para o centro de reações químicas onde são necessários como fornecedores de energia. A Física Clássica falha ao explicar a eficiência desse processo que no mundo quântico chega a ser simples: a partícula pode tomar todos os caminhos ao mesmo tempo. Dentro da célula haveriam condições propícias para que a chance de o elétron tomar uma rota dispendiosa fosse mínima.

Não obstante os inúmeros exemplos que existem, a Física Quântica, ao eludir a visualização e o senso comum, ainda parece estar dentre aquelas verdades. Por isso, nesta edição apresentamos a revolução causada por essa realidade quântica. Mostramos também como, permitida pela Ciência, a tecnologia avança, seja na música ou na guerra, e que para ser aperfeiçoada nem sempre é necessário olhar em nível quântico, quando a natureza pode servir de inspiração.

Portanto, convidamos você, leitor, a repensar como olhamos para o Universo e a aceitar, por enquanto, essa nova e confusa visão de mundo.


Emilly Rennale F. de Melo

Equipe Editorial do Jornal PET-Elétrica



   







A convite do Jornal PET Elétrica, a engenheira eletricista Rachel Suassuna de Medeiros escreveu sobre a turma de 1973, da então Escola Politécnica da UFPB. Confira!




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